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Paradigmas do terceiro setor

31 de agosto de 2010

Por: Roberto Prota (Contabilista)
Assim como qualquer instituição atuante no terceiro setor, percebo hoje uma série de empecilhos para que as mesmas possam executar suas ações, devido à falta de financiamento público e/ou privado. Diversos editais não contemplam instituições com pouco tempo de constituição jurídica, fora que muitas instituições sociais não chegam a ser legalmente constituídas pela série de exigências necessárias para alcançar tal feito. Por vezes, quem atua neste setor acaba sendo marginalizado perante a sociedade pela necessidade, às vezes, de ficar pedindo doações, seja de material esportivo, higiênico, limpeza, pedagógico, alimentos, roupas, remédios e muitas outras coisas. Quando não, acaba se “prostituindo” para políticos mal intencionados, que tudo fazem por meia dúzia de votos. Infelizmente, isso hoje é uma realidade nacional. Logo, nesse contexto, um novo estilo de vida nesse campo se faz necessário, mas como? Enquanto profissional do ramo contábil e administrativo atuante no terceiro setor há alguns anos, tendo passado por instituição pequena, média e grande, algumas com pouquíssimo recurso, outras com muito, mas todas enlouquecidas para dar conta de pagar funcionários e manter suas atividades é que tenho defendido a ideia que uma mudança de paradigma no terceiro setor se faz necessária. Não há nada de novo nessa constatação, tanto que os principais editais de financiamento já exigem de seus candidatos a apresentação de planos de sustentabilidade.

Sustentabilidade! Palavra da vez, vedete do momento. Termo que designa a necessidade de mostrar ao parceiro no projeto como sua instituição sobreviverá quando ele (o parceiro em questão) deixar de ajudar sua organização. Essa é uma tarefa nada fácil. Suponhamos que seu parceiro financie seu projeto por dois anos, como você irá prever o mercado daqui a dois anos? Vai estar empregando muito ou pouco? Será que a inflação terá voltado? Será que terão inventado uma nova moeda mais forte que o euro e que será a base para tudo em nossa sociedade? Perguntas difíceis de serem respondidas, não?! Pois bem, são difíceis sim e é por isso que defendo a ideia dessa mudança de paradigma. O ideal é que hoje as instituições sociais executem projetos autosustentáveis de maneira que, ao término dos financiamentos, possam dar continuidade às suas iniciativas. Logo, deixa-se de ficar refém de terceiros. Em todos os congressos e cursos dos quais participo sobre o Terceiro Setor, o tema “sustentável” é sempre muito abordado. Então, você pode estar se perguntando: projeto autosustentável? Gerar recursos? Mas instituições do terceiro setor não são instituições sem fins lucrativos? Eu respondo: são, sim, porém quando gerado lucro, se o mesmo for reaplicado na própria instituição (como, por exemplo, novas oficinas, aumento do número de atendidos, compra de uma sede maior, veículos, entre outros) não há problema algum, desde que esses valores estejam demonstrados com transparência em sua contabilidade, respaldada por documentação fiscal legal.

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Opiniao/Artigos/17179,,Paradigmas+do+terceiro+setor.aspx

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