Sem comentários

Relacionamento ANDIFES e CONFIES: Solução é unir forças

30 de novembro de 2010

Presidentes das duas entidades propõem congresso conjunto

“A aproximação entre as Fundações de Apoio e as Universidades é de fundamental importância para a solução dos conflitos. Com mais conversa, tudo anda mais rápido e os potenciais de cada uma serão dinamizados”. Dessa forma se manifestou o professor Edward Madureira Brasil, reitor da Universidade Federal de Goiás e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), em sua exposição como palestrante do primeiro painel do dia 25, no Encontro Nacional das Fundações.

O painel cujo tema era “Relacionamento: Fundações de Apoio e Instituições Apoiadas – Presente e Futuro – Confies e Andifes”, objetivando incrementar a prática de aproximação entre essas duas entidades, teve como palestrante Edward Brasil, que propôs a realização de um seminário conjunto das duas instituições. Além do palestrante, participaram do painel três debatedores: o presidente do Confies, Márcio Ziviani, o diretor executivo da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, professor Carlos Coutinho Batalha, e o deputado federal eleito por São Paulo e professor da Universidade de São Carlos, Newton Lima Neto, tendo como mediador o professor Alberto Augusto Alves Rosa, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Ao iniciar sua fala, o professor Edward expôs o “olhar das universidades sobre as Fundações de Apoio” e acentuou a importância de as instituições de ensino mobilizarem seu corpo de pessoal acadêmico em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do País. Ao informar que os professores da Universidade de Goiás têm, atualmente, menos de cinco anos de academia comentou o que quase todos eles querem: “O professor universitário tem um ideal. Esse ideal é mais dinheiro para trabalhar em seus projetos. Por isso, a necessidade das Fundações de Apoio”.

Edward abordou, a seguir, as determinações e orientações do Tribunal de Contas da União (TCU) para o relacionamento entre as Fundações e as Ifes, destacando ser necessário enfatizar a finalidade única de apoio à pesquisa, ensino, extensão e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. Com problemas registrados em algumas fundações, várias delas passaram a responder ações judiciais, com repercussão negativa na mídia, apreensão dos pesquisadores, prejudicando o trabalho das Fundações.

O presidente da Andifes abordou ainda a Medida Provisória 495 que dá novas atribuições às Fundações de Apoio e que, naquele momento, estava sendo discutida para votação no Congresso Nacional. Por essa razão a deputada federal Raquel Teixeira, não viria mais para ser a palestrante do segundo painel do dia, pois permaneceria em Brasília acompanhando a votação da MP. O painel, a ser realizado na parte da tarde, versava exatamente sobre a Medida Provisória 495.

COQUETEL

“Em lugar de estarmos fazendo debates, poderíamos comemorar com um coquetel”. Foi dessa forma que o primeiro debatedor do painel, o presidente da Fundação Universidade de São Carlos-SP, Newton Lima Neto, comentou a votação da MP 495 que se desenvolvia em Brasília. Ele fez um pequeno histórico entre as parcerias Fundações e as Ifes, explicando que no início havia uma preocupação muito grande com a possibilidade de privatização de todo o ensino superior, como aconteceu na Argentina e no Chile, com apoio do Banco Mundial.

“Para evitar que isso acontecesse, fazia-se necessário institucionalizar a relação entre as Universidades e a sociedade, já que essas instituições estavam separadas do poder público e os governantes não davam nenhuma atenção às suas necessidades”, garantiu Newton Lima, afirmando que no início do Governo Lula o diálogo foi reaberto e as soluções foram sendo sugeridas, culminando com a edição da MP 495.

SINTONIA

O segundo debatedor do painel, o presidente do Confies, Márcio Ziviani, garantiu sua perfeita sintonia com o presidente da Andifes sobre a necessidade de aproximação entre as duas entidades para o melhor desempenho dos trabalhos das Fundações de Apoio e das Universidades. “Não combinei nada com o Edward (presidente da Andifes), mas as coincidências são tantas que facilitarão o caminho a percorrer, que é muito longo”, disse ele.

Ziviani garantiu que para atender às necessidades das universidades era necessário uma entidade especial, por isso surgiram as Fundações há cerca de 30 anos, para cuidar especialmente da pesquisa e da extensão. Segundo ele, a maturidade desse modelo de entidade especial ocorreu na década de 90 e, de lá para cá, só vem crescendo. “O tamanho das Fundações é proporcional às exigências das universidades, pois só cabe às Fundações atender o que as apoiadas necessitam”, justificou, lembrando que, como em algumas partes do mundo, um país poderoso “tem que estar ligado a universidades poderosas usando na prática seu ensino, pesquisa e extensão”.

O presidente do Confies abordou também os problemas no relacionamento entre as Fundações e suas apoiadas, como o pagamento de bolsas de estudo, as prestações de contas muito burocratizadas, as constantes ameaças de ações judiciais, custos operacionais cada vez mais altos e dificuldades na comunicação entre si.

“Estamos dispostos a trilhar caminhos juntos e quanto maior for a aproximação com as universidades, mas fácil será superar os obstáculos”, afirmando estar de acordo com a realização de um seminário conjunto, proposto pelo presidente da Andifes.

INCENTIVO

Abordando o tema da relação entre Fundações de Apoio e entidades apoiadas, o diretor executivo da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, professor Carlos Coutinho Batalha, falou sobre as dificuldades da FCAA em seu relacionamento com vários Departamentos de Centros Acadêmicos da Ufes, garantindo que vem encontrando entraves por decisões desses órgãos, que alegam os professores não disporem de carga horária suficiente para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, sem prejudicar o rendimento acadêmico dos alunos. O diretor executivo enfatizou ser essa uma preocupação válida, mas ajustável aos interesses da pesquisa.

Batalha anunciou que com a criação do Escritório de Negócios na FCAA, foi elaborado um documento encaminhado a todos os pesquisadores da Ufes, mostrando que a Fundação está colocando à disposição deles uma equipe técnica que os acompanhará na montagem de projetos de pesquisa.

Como exemplo a ser seguido, o diretor da FCAA apontou os projetos realizados em parceria com empresas como a Petrobras e a Arcelor-Mittal Tubarão e vários órgãos do Governo do Estado e Prefeituras Municipais. Citou o trabalho do Centro de Línguas para a Comunidade que abriga cerca de 6.500 estudantes e o Projeto Elsa – realizado por seis Universidades do País – que faz o monitoramento cardiológico de mil funcionários, alunos e professores da Ufes.

Fonte: http://www.confies.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=113:relacionamento-andifes-e-confies-solucao-e-unir-forcas&catid=34:noticias

Comente